quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Triângulo das Bermudas

Eu não estou a dizer que sim, nem a dizer que não; mas...
Mas se tudo é relativo porque razão então fazem do amor absoluto?
Porquê?! Porquê que só é amor aquilo que vocês conseguem entender de acordo com os conceitos que aprenderam de vossos pais? Porquê que ainda baseamos o amor à uma imagem velha e arcaica?

Eu não estou a dizer que tem que, muito menos que não tinha que... Mas não custa nada questionar.
Ah porque eu quero viver um amor como o de Romeu e Julieta... Hum... "Shô"!
Jamais! Jamais viveríamos um amor como o deles pelo simples facto de não termos o stress de ver o nosso amor negado pela sociedade, mais forte que a aprovação ou não dos pais é a aceitação da sociedade; e se eles nos aceitam, então que se dane o resto. No entanto, eles tentaram viver esse amor que após ser barrado tipo a maioria das pessoas na porta do Dom Q, tentaram então o extremo.
Eles foram um do outro, não porque era um grande amor que só cabem dois, mas porque o resto da energia que tinham, era para combater os preconceitos daqueles que os rodeavam.

Hoje vivemos a ressaca do que os nossos ancestrais passaram, ainda existem mais extremos, só que agora o bloqueio já não vem da sociedade; está a vir de nós também. Já não temos o stress de nos preocuparmos com a sociedade, agora já é normal ter um parceiro. Ide e multiplicai-vos! Nos dias de hoje que já sabemos contar, queremos antes somar. E isso é um extremo!
Sem a preocupação que outrora os casais tinham, nós temos agora que tentar nos focar apenas em uma como? Uma, como? Eu não estou a dizer que sim, nem que não... Apenas que pensem, só isso, que pensem! Que pensem que tudo pode ser quê?!

Quem ainda não passou pelo que estou aqui a escrever, vai dizer que esse é um grande maluco, vê só isso que ele está a escrever. Quem já passou por isso, vai dar um "hum" e ficar só assim mas quem estiver a passar por isso, vai ler, reler, e se rever. Seja bem-vindo à extremidade. Nem mais um passo para frente que a sociedade julgará. Oh, "maji" a "nsociedade" já "num tava" quieta?! Nisso não.
Esse assunto aqui a sociedade esconde. É da vontade de sei lá quem, ou mesma nossa, ou se calhar de hum. Mas não... O que é meu ninguém toca. O que é teu como? Somos de alguém afinal de contas? Epá, sim e não. Somos quando nos convém amar quem quê?!

Não se ama apenas uma pessoa de cada vez, sei que virão cá me dar chapadas da cara. Mas as mulheres sabem disso melhor do que os homens. E o que mais as deixa confusas, além do facto de terem aprendido que não amamos duas pessoas ao mesmo tempo, é essa sociedade sedenta por julgamentos, ávida em apontar dedos às mulheres e se curvarem aos homens; ham, não... Ela não se curva aos homens, apenas tem problemas de coluna.
Ah porque se isso acontecer você não ama nenhum deles, ah porque se isso acontecer fica com o segundo, ah porque "bonho"! E se os dois a completarem? Você já assim é quem sabe?
Quantos pais criaram filhos que não eram seus? E culpam a mãe?! Será? Será que foi por puro gozo que ela deixou acontecer? Nem tudo deve ser conotado à leviandade. As mulheres sabem que podem amar dois homens ao mesmo tempo, oh se sabem! Só não admitirão, só não perceberão. Apenas as mais velhas irão te dizer que sim, que é possível. As meninas ainda estão, nesse momento, com uma séria crise de identidade sobre o que sentem.

"Memo" assim não xê, isso nunca, mulher com dois? Antes homem com duas! Fiquem calmos que a vida está aqui para te provar que as teorias não valem nada. Os conceitos em que tanto se apoiam, não vos salvarão. Os sentimentos são traiçoeiros e a mente mente!

Vamos Lá Ser Sinceros!
A maior parte, senão mesmo todos os grandes poetas que escreveram sobre amor, aqueles que os seus trabalhos tocaram almas, fizeram do cinema o que é hoje, não tiveram só uma mulher; nem elas tão pouco um único homem de cada vez. Desliguem-se de preconceitos e pensem, meditem e depois joguem no lixo. As mesmas pessoas que gritam alto que isso jamais, são as mesmas que outrora disseram que sexo só depois de hum?! Ham! Já esqueceram, nê? Agora pode! Mas vão dizer que não tem nada a ver... Mentes fechadas!
Não venham cá me dizer que estou a fomentar. Eu sou apenas um, não teria como semear essa terra toda. Eu só estou a dizer que talvez já tenham surgido novos Romeus e novas Julietas que estão a viver no extremo, mas até quando? Não precisamos viver sempre de tragédias. Sempre na esperança que alguém venha e bique o bidom e assim por alguns segundos possamos todos sair de nossos esconderijos para que depois de forma muita rápida e sorrateira voltemos todos para o mesmo lugar.

Essa estória de triângulos amorosos não é nova. Só que também não é contada como deve ser. Nos livros, nos teatros, nos cinemas, um dos elementos desse triângulo é sempre demonizado de forma a desmerecer a(o) parceira(o) para que tudo volte ao padrão que já conhecemos. Muita das vezes os dois merecem tanto ela quanto ela os dois ou ele merece tanto as duas quanto as duas à ele. Um homem e uma mulher mais alguém. Nada mais do que isso. Não que tenha que ser, mas que aceites se assim for. Está bem, não aceite se for contigo mas deixa estar se for com o outro. Porquê que tens que julgar? Até passares pelo mesmo?! Não, já sei... Se passares pelo mesmo dirás que só amas mesmo um. Então porquê que não deixas o segundo sem pensar duas vezes? Oh... Deixaste?! Agora sinta os sentimentos a corroerem-te esse músculo que só bomba sangue, a sufocarem a tua alma e de repente vês-te forçada a voltar a ouvir a voz dele, pelo menos a voz, só para saciar esse desejo que dizes ser nada mais do que uma atrapalhação. Sinta... Como é que podes sentir isso por alguém que não amas? Sinta a coisa a crescer dentro de ti, e tu não podes nem dizer à ti mesmo em voz alta. Tem que prender, e de repente começas a soltar as emoções como se fossem flatulências, desejo enorme transformado em bufo. E tudo o que mais queres é uma explicação, alguém que te diga que isso é normal. Mas eu não posso, vão crucificar o meu blog. É "mbora" bwé normal! Não te assustes!

Vais me dizer que concordas com o modelo actual porque só tinha um Adão para uma Eva. Mas será que a Eva ficaria só com o Adão se tivesse um Pedrão? Será que Adão ficaria apenas com a Eva se tivesse uma Geneva?
Custa tanto admitir que tudo que tu gostas está dividido em duas pessoas? Aquela atracção incontrolável que te faz pecar, ir contra todas as regras que os teus pais te ensinaram com tanto amor e carinho. Não é quê?! É só quê?! Paixão? Então que seja tudo paixão porque amor não apaixonado eu também não quero. É tudo tão envolvente e bom quanto amar apenas um. Ama o que é teu não se meta no do outro.
Temos o hábito de não reler tudo aquilo que já aprendemos. Nós não voltamos a ler aritmética quando já estamos a dominar calculus, não voltamos a ler sobre fotossíntese quando já dominamos o comportamento celular dos organismos clorofilados, então porquê que sempre lêem os mesmos tipos de contos amorosos? Porquê que sempre procuramos encontrar algo de diferente se a maioria fala de apenas um casal e a jornada que os levou a ficar juntos? Todo mundo sabe que se passa sempre algo além. Talvez eu não esteja preparado para o que digo, mas estou preparado para não me meter com quem conseguir viver o seu extremo. Será que temos que ter novos Romeus para velhas Julietas?

Então você dirá:
- Mas eu já passei por isso e não é bom. Na verdade foi bom, foi muito bom e você sabe. Tão bom que agora até parece que não valeu a pena. Só que depois queremos tudo só pra nós, só que depois nos perdemos nos limites estabelecidos com medo de depois sermos julgados, pulamos pra fora do barco depois nada fica escrito e voltamos à velha literatura que manda multiplicar um vezes um na esperança de ter dois.
Sei que a maioria que se identificar com isso não vai nem recomendar. Claro que não. Os que não entenderem farão disso um debate político e religioso só para banir esse tipo de ideias; mas enquanto vocês não forem relativos, meus textos serão absolutos à relatividade do amor. Se é esse o amor que pregam, que não permite excepções, então é melhor não amar. Não quero ser quadrado. Eu quero aquele amor redondo em tangentes infinitas podem ser traçadas vezes sem conta; nem que for um ponto.

Seu namorado se desleixou e ele apareceu... Tem sido o equilíbrio da sua velha relação... Xê! "Num" posso falar assim! Essa parte tenho que censurar, olha os ciumentos e ciumentas que frequentam essas paragens. Desculpa, família! Digamos que se analisares bem verás que ele não apareceu por acaso. Como pode alguém aparecer tão bem e de forma perfeita quando a tua relação já está a esvair de sangue?!

Eu não disse que sim, nem que não... Apenas que deveriam ter uma ideia mais maleável sobre o que é amar... Quantos os outros quiserem ao mesmo tempo... Talvez vocês não estejam preparados! Mas adivinhem só... O teu dia para amar duas pessoas também chegará e tu voltarás cá para ler isso novamente. Se tu estiveres a amar, a essa hora não paras de ouvir um "será" vindo da tua consciência.
Só tenha cuidado ao saltares, porque estarás a entrar em um abismo e talvez seja isso de que tanto têm medo, talvez tal como no Triângulo das Bermudas, no triângulo amoroso as coisas também se perdem, despenham e se desviam sem explicação.

Sei que só quem não passou por isso é que terá a audácia de vir cá comentar, mas... Danem-se! Não falo política, não falo religião, não me proíbam também de falar de amor!

2 comentários:

  1. It's true apoiado MS, com coração nao se brinka e mtas vezes eh dificil entender os nossos proprios sebtimentos...

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  2. Eu não estou a dizer que sim nem estou a dizer que não, mas gostava de saber em que contesto seria formado este triangulo?

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