sábado, 25 de Outubro de 2014

Eyala (Por Eliana Luaia)

O assobio dos autocarros ocupava toda avenida e deixava-se entranhar em todos os becos, de lençóis e rios mais castanhos que os fios de cabelo da Lídia e de um ser, só de ser mesmo, mais comum que as cores que abraçavam a bandeira. Com os olhos desesperados, aproximei-me dos degraus compridos, um mais abaixo que outro, onde encontrei marcas daquele que um dia já foi. À minha frente, Luanda deixou-se pintar numa tela cinzenta, com todas as poesias e todos os jeitos.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

A Realidade (Por Malú Costa)

Despertei ontem com o vibrar do telefone do meu marido. Mesmo depois de cotoveladas e empurra-lo ele não despertou. Decidi ver quem estava a ligar, mas o vibrar parou. Era a filha dele. Segundos depois, caiu-me o queixo ao ler a mensagem de SMS dela que dizia:

domingo, 19 de Outubro de 2014

Épocas de Eleições (Por Neide Costa)

E este texto dedico àqueles que mesmo passando pela escola de condução nunca aprenderão a conduzir.
Tudo acontece nas férias de verão quando decido ir para casa e euforicamente digo aos meus amigos a semana em que vou chegar. Rapidamente a notícia espalha-se e toda Luanda fica a saber que brevemente as suas ruas se resplandecerão com a unicidade da minha pessoa. E como é de se esperar, os meus pretendentes, como aranhas fazedoras de teias, preparam-se para atacar. Mas nenhum ataque acontece sem antes se sondar o terreno.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

De: Mins... Para: Tus (Por: Lua Poderole)

De: Mins
Para: Tus

Escrever para Tus hoje em dia é muito engraçado
Pois o coração e a mente se enrolam e o texto sai errado
Dizem que é assim que escreve um poeta apaixonado
Mins acha que é assim a textura de um sentimento enjaulado
Nunca sei bem o que dizer, bate sempre tudo ao lado

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Fatalidade (Por Hamanene Kuvingua)

Sempre tive a humana tendência de endeusar-me quando oiço um problema alheio ou um erro comum, mas tenho a certeza que o semi-deus dentro de cada um de nós, não é nada mais do que a vaidade e o egoísmo vazio que nos sacia na monótona jornada de parecer melhor.

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Suzana (Por Rosema Matias)

Olá, sou uma jovem comum, e como todas as mulheres deste tempo tenho um segredo que deixará de o ser nestas páginas.
Tenho 21 anos, e desde que me conheço por gente que tenho tudo o que quero, quando quero e como quero. Posso dizer, sem vergonha nenhuma que sou mimada. E eu gosto disso!
Até com o meus namorados sempre foi assim, eu comandava, sempre ditei as regras do jogo, praticamente, era o homem da relação. Sempre tive muita facilidade em escapar das minhas puladas de cerca e afins. Era só levantar a voz, mudar drasticamente de rainha para plebeia, que conseguia dominar o namorado e sair sempre de qualquer enrascada ilesa. Claro que, todo mundo sabe que não há nada como um bom sexo para fazer as pazes, é uma mistura de amor e ódio, quente e frio, afecto e desapego, enfim..

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Ponto Fraco (Por Rosene Maura)

Não precisava escorregar, minhas mãos amavam aquele travar, aquele frisado... Eu puxava e puxava, ela agitava-se.
Tirando a sua escultura física e o embalar das suas curvas, o escorregar dos gemidos feria-me a pele já arrepiada, já bem transpirada. Eu sabia que aquele conjunto de óleos naturais, era seu ponto fraco, passou a ser o meu também quando ela depois de despida, exibia aquele monte de matéria morta, com tanto volume, tanta nutrição , que parecia ter vida.