domingo, 19 de Outubro de 2014

Épocas de Eleições (Por Neide Costa)

E este texto dedico àqueles que mesmo passando pela escola de condução nunca aprenderão a conduzir.

Tudo acontece nas férias de verão quando decido ir para casa e euforicamente digo aos meus amigos a semana em que vou chegar. Rapidamente a notícia espalha-se e toda Luanda fica a saber que brevemente as suas ruas se resplandecerão com a unicidade da minha pessoa. E como é de se esperar, os meus pretendentes, como aranhas fazedoras de teias, preparam-se para atacar. Mas nenhum ataque acontece sem antes se sondar o terreno.
A sondagem normalmente é rápida: eles querem confirmar se vou mesmo para a banda e tentam saber sem discrição alguma o meu estado civil. Sem demora prosseguem por lançar a seda em formato de espiral vertical com raios interligados. A teia fica tão perfeita e pegajosa que até abelhas rainhas caem nela. “Chacho já nu é chacho”! Qualquer mulher cai de quatro. E todo mundo sabe o que acontece quando uma mulher cai de quatro...
Depois de ganharem a minha confiança ou pequena aprovação, seja lá como se define, o romantismo perde-se pelo caminho e a coisa passa a ficar mais erótica. Na qualidade de mulher solteira, vou deixando a coisa rolar no simples prazer (em confissão vos digo) de alimentar o meu ego.
_”Quando nos encontrarmos vou morder esses teus lábios cor-de-rosa enquanto a minha mão desliza pelas curvas do teu corpo. Vou encostar-te na parede e apertar as tuas nádegas sussurrando safadezas no teu ouvido. Depois vou despir-te e lamber o teu corpo todo de cima para baixo, até encontrar a tua vulva e fazer-te delirar de prazer enquanto penetro a tua vagina. Vou mostrar-te o que é um homem de verdade. Vou te fazer mulher!”

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

De: Mins... Para: Tus (Por: Lua Poderole)

De: Mins
Para: Tus

Escrever para Tus hoje em dia é muito engraçado
Pois o coração e a mente se enrolam e o texto sai errado
Dizem que é assim que escreve um poeta apaixonado
Mins acha que é assim a textura de um sentimento enjaulado
Nunca sei bem o que dizer, bate sempre tudo ao lado

Estranho teu beijo, anseio por pecado?
Será que me perdoarias por um único sábado?
De gritos na madrugada e corpo pelado?
Mesmo sendo Tus o único culpado?
Tus e sua maldita ausência em noites de teclado!

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Fatalidade (Por Hamanene Kuvingua)

Sempre tive a humana tendência de endeusar-me quando oiço um problema alheio ou um erro comum, mas tenho a certeza que o semi-deus dentro de cada um de nós, não é nada mais do que a vaidade e o egoísmo vazio que nos sacia na monótona jornada de parecer melhor.

Sinceramente, chega a ser tão perverso que até quando instigados pelas normas da sociedade em sermos aceites, usamos o que podemos ter de mais nobre (a formação académica) como um convite ao elitismo moral que julgamos possuir para espezinhar os menos afortunados, e mesmo assim somos melhores. Melhores também parecemos quando usamos causas solidárias como plataforma pessoal só para parecermos credíveis, e a hipocrisia é que a nossa querida sociedade precisa disso, e assim somos melhores a despejar baldes de água na cabeça como um baptismo ao universo da escravidão e cegueira mental.

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Suzana (Por Rosema Matias)

Olá, sou uma jovem comum, e como todas as mulheres deste tempo tenho um segredo que deixará de o ser nestas páginas.
Tenho 21 anos, e desde que me conheço por gente que tenho tudo o que quero, quando quero e como quero. Posso dizer, sem vergonha nenhuma que sou mimada. E eu gosto disso!
Até com o meus namorados sempre foi assim, eu comandava, sempre ditei as regras do jogo, praticamente, era o homem da relação. Sempre tive muita facilidade em escapar das minhas puladas de cerca e afins. Era só levantar a voz, mudar drasticamente de rainha para plebeia, que conseguia dominar o namorado e sair sempre de qualquer enrascada ilesa. Claro que, todo mundo sabe que não há nada como um bom sexo para fazer as pazes, é uma mistura de amor e ódio, quente e frio, afecto e desapego, enfim..
Posso dizer que, sempre resolvi os meus problemas na relação com sexo. Para ser sincera, acho que os meus namorados gostavam disso ou... Ou não notavam!

Sou uma pessoa sexualmente muito activa, por vezes, pervertida e também reservada até ser descoberta. Visto o manto “da boa moça”, até que alguém chegue e tire ele de mim.
Desde tenra idade que noto a minha recaída para coisas relacionadas a sexo, de imagens no telefone à vídeos eróticos online. Por isso e pela facilidade que eu tinha nas minhas relações, sempre que pude traía quem estivesse comigo. Não que eu fizesse isso de maneira premeditada, muito pelo contrário, me sentia atraída pela adrenalina, pelo proibido e inusitado.
E numa dessas voltas conheci alguém, a princípio, e como sempre, nada promissor. Ele era mais velho que eu, tinha 27 anos, e nesses 27 anos já havia percorrido mais estrada do que eu e aprendia com ele todos os dias.

Eu era uma menina para aquele homem, sim já era um homem, daqueles difíceis de controlar, daqueles que todo mundo já tem ideia do que ele é. Vulgarmente as pessoas, e principalmente as mulheres da minha faixa etária o tratavam como “achado”, pois eu o achei.
O processo de conhecimento foi indescritível. Era algo novo e ao mesmo tempo, complementar àquilo que eu já sabia e a anos fazia. Sexo!
Fomos falando, mas ainda me sentia uma criancinha ao pé daquele homem feito.
Não tardou e entramos em sintonia, o que nos une foi mais forte e veio logo à tona. Nem preciso falar o que foi... O entrosamento foi tal, que ele se disponibilizou em vir à minha casa para nos provarmos. Eram 2 horas da noite e ele teria de subir 8 andares.

Esqueci-me de mencionar que ainda vivo com os meus pais, típico de patricinha, e que durante esses anos todos não me formei em escapadelas nocturnas.
Mas por aquele homem, que ainda era um mistério para mim, corri esse risco. Abri a porta de casa, que mais parecia um portão de uma masmorra de tanto barulho que fazia, e fui ter com ele. Estava de uma blusa leve, sem sutiã e de calção.
Fui recebida com um ardente beijo que no momento me fez esquecer que a porta de casa estava aberta. Ele colocou-me no colo e com as suas mãos másculas percorreu todo o meu corpo.
Depois daquela recepção calorosa de alguém que já não contava que eu fosse sair devido ao meu medo e demora, fui obrigada a chupá-lo... Oops, vou usar um termo mais politicamente correcto, fiz-lhe um broche e ele retribuiu-me com um minete bem feito.

quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Ponto Fraco (Por Rosene Maura)

Não precisava escorregar, minhas mãos amavam aquele travar, aquele frisado... Eu puxava e puxava, ela agitava-se.
Tirando a sua escultura física e o embalar das suas curvas, o escorregar dos gemidos feria-me a pele já arrepiada, já bem transpirada. Eu sabia que aquele conjunto de óleos naturais, era seu ponto fraco, passou a ser o meu também quando ela depois de despida, exibia aquele monte de matéria morta, com tanto volume, tanta nutrição , que parecia ter vida.

Sentia a leoa que me esperava, e precisava domá-la. Não me parecia tarefa fácil, mas, não havia nada mais excitante, mais puro, que aquele precisar.
Já de costas, roçando-se em mim, respirou dizendo: 
- Sou Tua... Tua... Tua!

domingo, 24 de Agosto de 2014

Meu Agradecimento à Todos Que Tornam Esse Blog Uma Realidade

Ouvia aquela voz 11 anos mais velha do que a minha olhando profundamente para os olhos dela. A calma com que ela falava e geria qualquer situação era confortante, transmitia calma e muita paz. Facilmente se percebia que ela já havia passado pelo desejo urgente de viver e agora estava na fase de contemplar tudo. Ela tinha essa habilidade de apreciar tudo como ninguém. Apreciava a comida, o vinho e eu. Sentia-me admirado por ela. Eu chegava todo cheio de energia e ela me mandava ter calma. O tempo parava logo ali. Ela dizia:
- Vem que eu quero te beijar, meu miúdo. Gosto quando chegas cheirando a vigor, encosta mais que eu quero te abraçar.
Era tudo dito de forma tão pausada que eu me sentia desprotegido. Ela despia-me a alma antes de deixar o meu corpo nú. Eu mal sabia o que dizer. Meus olhos caíam e um sorriso infantil emergia.
O corpo de uma mulher madura é diferente, sabe à responsabilidade, à privilégio, à maturidade; tenho a sensação que é mais quente também.

O blog levou-me para muitos sítios, mas não contava que me levasse para a cama de certas mulheres também, mas mulheres mesmo de espantar qualquer um. A primeira vez que falamos, senti logo uma energia estranha, como se estivéssemos a exalar desejo bruto. Eu juro que me aproximei com todo o respeito, porém, seria uma desfeita não cobiçar aquele conjunto de curvas finas.
No meio de tanta conversa, ela disse-me que por ter uma personalidade muito séria não se sentia cobiçada e que há muito tempo que não encontrava alguém que tivesse o potencial de a dar prazer puro. Eu ainda estava meio perdido, tentando perceber onde eu me encaixava. Em tom de brincadeira disse:
- Eu não vejo como é possível não seres desejada.
Logo em seguida me arrependo mas ela diz:
- Você me deseja, Mauro? Tu me queres?
Minhas pernas ficaram bambas, meus lábios secaram, senti minhas pupilas dilatarem.
Definitivamente ela só poderia estar a brincar. Soltei uma gargalhada descontrolada e disse:
- Quem não te deseja?
Ela voltou a repetir:
- Tu... Queres-me agora?

sábado, 16 de Agosto de 2014

Crédito Habitação - O Sonho do Homem Próprio

Ano 2014 a.C, num mundo esquecido, perdido, perfeito, paralelo e longínquo, existia uma cidade que sua beleza lembrava as pérolas do Atlântico, sua formosura lembrava a sereia que enfeitiçou o mais bravo dos desbravadores e seu nome era de todo especial; chamavam-na de Kianda.
Em Kianda, tudo era uma maravilha. Após longos anos de luta, a elite que governava a cidade conseguiu sanar todos os problemas que afligiam a população. Durante muito tempo, os jovens lutaram muito para realizar o sonho da casa própria. Era duro se formar e depois não ter onde morar. Porém, com a sabedoria de Salomão, criaram programas que davam créditos habitacionais e construíram uma nova centralidade com vários prédios a que chamaram Centralidade da Kitamba. Com a entrada da Kitamba em cena, a casa própria deixou de ser um sonho, tornou-se uma realidade e todo mundo vivia feliz em direcção ao Para Sempre. 

Bem, essa viagem histórica poderia acabar aqui mas sinto-me obrigado a contar-vos sobre os grandes movimentos de solidariedade que surgiram em Kianda. Após terem todos os seus problemas resolvidos, as citadinas sentiram-se assoladas, senão mesmo flageladas, com uma escassez periclitante de homo-sapiens. Se vos dissesse que estava duro ter homem naquela época, estaria a ser muito mentiroso. Na verdade, os sábios daquela era não davam adjectivo nenhum à situação. Diziam apenas que a situação estava. Sim, a situação estava! Era um assunto o qual era proibido cochichar sequer pelos cantos da nobre cidade.

A satrapia que viveu momentos de grandes alegrias e glórias, andava muito triste, pois os homens estavam em via de extinção. Se homens fossem água, muitas mulheres jamais voltariam a tomar banho. Algumas que conseguissem, teriam que tomar o seu maravilhado banho "cô" caneca e só chegaria para duas safas. Como era um problema que estava fora das esferas governamentais, o Executivo não tendo formas de resolver a situação em massa, ajudava onde podia em capacidade pessoal. Assim, começou então um grande movimento de solidariedade denominado "Se Ninguém Sabe, A Gente Come." Esse movimento solidário permitiu que muitas mulheres comessem no prato das outras embora a maioria que participava nesse programa de cariz humanitário não hesitava em cuspir na cara de quem admitisse se beneficiar de tal plano também.